Médico explica que ar-condicionado é favorável para proliferação de bactérias.

 
Segundo o Médico infectologista, professor da Unesp - Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista, Carlos Magno Fortaleza, água parada e ambientes quentes promovem a multiplicação de bactérias como a Legionella sp, condição comum em aparelhos de ar-condicionado. “A Legionella frequentemente se multiplica bem em sistemas de ventilação interna de prédios e se dispersa pelo ambiente. Se ela for aspirada em grande quantidade ou se a pessoa tem algum problema de imunidade, pode contrair uma pneumonia que pode ser muito grave”, afirmou Fortaleza. Ambientes com sistemas de climatização velhos ou sem manutenção e higienização apropriada tornam-se propícios para este tipo de bactéria. “É o que chamamos de Síndrome do Edifício Doente. Quando o sistema de ar tem muitos fungos, são comuns essas infecções e problemas como rinite, sinusite e bronquite”, segundo o médico. O infectologista afirma que nem todas as pessoas expostas em um ambiente com ar-condicionado adoecem, ainda que o local venha a estar contaminado. “Isso depende da defesa imunológica da pessoa. Às vezes, ela não tem defesa contra aquela bactéria específica ou está com baixa imunidade”. MANUTENÇÃO DO SISTEMA DE AR-CONDICIONADO Para evitar a contaminação do sistema de ar-condicionado, é extremamente importante a manutenção e higienização periódica do mesmo, conforme explica a gerente de qualidade de um laboratório de biotecnologia que analisa bactérias, Elisa Goulart. Ela destaca ainda que umidificadores de ar e ar-condicionados automotivos também precisam de manutenção. E, ressalta que nos casos dos veículos a manutenção e troca frequente dos filtros devem ser feitas em concessionárias ou em oficinas especializadas. “Há pessoas que só notam alguma coisa errada quando há odor estranho, quando começam a espirrar. A recomendação é que o filtro de ar seja trocado a cada seis meses”, afirmou Elisa. AS NORMAS DA ANVISA A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) possui duas normas que regulamentam o tema: a Portaria GM/MS nº. 3.523, de 28 de agosto de 1998, que fala sobre a higienização e manutenção dos aparelhos, e a Resolução RE nº. 9, de 16 de janeiro de 2003, que é uma instrução técnica pertinente à qualidade do ar. A limpeza do sistema e troca do filtro dos equipamentos é essencial tanto em equipamentos pesados quanto em equipamentos comuns como Split, Hiwall, Cassete ou ar-condicionados de janela. Afirma o especialista em Vigilância Sanitária da Anvisa, Sandro Dolghi, A maneira de manter o sistema limpo varia de acordo com o aparelho, porém todo fabricante tem as recomendações de manutenção dos equipamentos. “Vários fatores influenciam na periodicidade com que a limpeza deve ser feita. Um equipamento pode ter que ser limpo a cada cinco dias, enquanto outro só uma vez por mês. Quem define é quem cuida da manutenção”, explica Dolghi. “Em um prédio de escritórios, por exemplo, um equipamento em uma sala de reuniões que é usada várias vezes por semana será limpo com mais freqüência do que aquele que fica na sala de um diretor que vive viajando e quase nunca está na empresa.” A Vigilância Sanitária dos municípios faz a fiscalização, através de fiscais dos trabalhos e conselhos regionais. Qualquer usuário pode também apoiar na fiscalização. Basta observar os relatórios de manutenção do ar-condicionado, que devem estar à disposição. Afirma ele.
Fonte: G1 | Diário do Nordeste | Medicina Net
COMPRE AQUI